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Poliquetas marinhas impulsionam aquicultura integrada e abrem caminho na América Latina

Pesquisadores da AQUAPROA, no Peru, e do CESIMAR-CONICET, na Argentina, mapearam o panorama global da maricultura de poliquetas para identificar as oportunidades e desafios de expansão dessa atividade na América Latina. Conhecidos popularmente como minhocas-marinhas, esses anelídeos desempenham um papel crucial como alimento de alto valor nutricional para reprodutores de camarões e peixes, além de fornecerem compostos bioativos de interesse biotecnológico e atuarem na biofiltragem de efluentes.

A consolidação global do cultivo de minhocas-marinhas

Globalmente, a produção de poliquetas evoluiu de uma atividade extrativista tradicional para sistemas de cultivo intensivo e altamente controlados, liderados por países da Europa e da Ásia. Espécies como Alitta virens e Arenicola marina são hoje produzidas em escala comercial para suprir a demanda por iscas de pesca e, sobretudo, para a formulação de dietas de maturação na carcinicultura. O uso desses organismos cultivados garante maior biossegurança, eliminando os riscos de transmissão de patógenos associados à coleta de exemplares selvagens.

Integração trófica e economia circular no setor

Além da nutrição, a revisão destaca a consolidação dos poliquetas em sistemas de Aquicultura Multitrófica Integrada (AMTI). Nesses arranjos, os anelídeos atuam como organismos extrativos de sólidos, consumindo fezes e resíduos de ração que se acumulam no fundo de tanques ou sob gaiolas marinhas. Essa dinâmica reduz significativamente a carga orgânica lançada no meio ambiente e transforma resíduos em biomassa de alto valor comercial, promovendo um modelo circular de produção.

Os desafios e o caminho para a América Latina

Apesar do expressivo potencial da região, que conta com extensa faixa costeira e uma carcinicultura consolidada, a criação de poliquetas na América Latina ainda se encontra em estágio inicial. A forte dependência da extração de populações nativas na natureza compromete os estoques naturais e traz incertezas sanitárias para os criatórios. Para alterar esse cenário, os autores apontam a necessidade urgente de mapear espécies locais promissoras, dominar seus ciclos reprodutivos e adaptar tecnologias de cultivo às condições regionais.

Perspectivas para o futuro sustentável

O avanço da maricultura de poliquetas na América Latina representa um passo estratégico para diversificar a renda dos produtores e elevar os patamares de sustentabilidade e biossegurança da aquicultura regional. A transição progressiva para o cultivo controlado de espécies nativas permitirá suprir as demandas nutricionais da carcinicultura local, reduzindo a pressão sobre os ecossistemas costeiros e fortalecendo a cadeia produtiva com inovação e responsabilidade ambiental.

Fonte: Polychaetes aquaculture: Global successes and opportunities for Latin America

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