O peso da porteira para fora
O documento aponta que a competitividade do produtor brasileiro não é prejudicada pelo manejo interno das fazendas. O desempenho zootécnico de cadeias como a da tilápia, tambaqui e camarão — considerando índices de crescimento, sobrevivência e conversão alimentar — acompanha de perto o nível dos países concorrentes. Além disso, a robusta produção nacional de insumos para rações favorece o controle de custos nessa etapa. No entanto, o problema central está nos fatores externos: logística de transporte, tarifas de energia elétrica, alta carga tributária e burocracia retiram a competitividade do produto brasileiro frente aos importados.
Avanço do filé asiático
A cadeia da tilápia ilustra claramente o impacto das importações. A CNA destaca a entrada expressiva de filé congelado proveniente do Vietnã. Mesmo com a posterior queda nas importações após a Semana Santa — impulsionada pelo recuo sazonal de consumo e por barreiras comerciais aplicadas por alguns estados —, o produto vietnamita continua chegando ao Brasil com preços altamente atrativos. Em julho de 2026, o filé asiático desembarcou cotado a cerca de US$ 4,17 por quilo, o equivalente a R$ 21,48.
Cenário do camarão marinho
Uma situação idêntica afeta os carcinicultores. O relatório detalha que o cultivo do camarão marinho (Litopenaeus vannamei) sofre concorrência direta do produto processado oriundo do Peru, atual líder nas exportações da espécie para o mercado brasileiro. Com valor médio de chegada de aproximadamente US$ 9,30 por quilo (R$ 47,90 em julho de 2026), o camarão peruano desembarca no país custando praticamente o mesmo que o preço de custo da produção nacional, colocando os carcinicultores brasileiros em severa desvantagem.
Organização e potencial
Diante da pressão nos custos e do estreitamento das margens de lucro, a publicação ressalta a necessidade de união do setor e de uma atuação firme das entidades representativas para defender a aquicultura nacional. Com a estagnação global dos estoques pesqueiros naturais, a demanda por pescados exigirá uma produção em cativeiro cada vez maior — um cenário global no qual o Brasil, segundo a CNA, possui um dos maiores potenciais de crescimento.
Fontes: CNA
