Atrativos artificiais na costa de Malta
A expansão da piscicultura em tanques-rede e o uso tradicional de FADs para a pesca de lampuki (Coryphaena hippurus) no Mediterrâneo criam polos de concentração de fauna aquática. Estruturas flutuantes fornecem abrigo e alimento para peixes selvagens, atraindo predadores de topo. Contudo, os riscos de emalhe, perturbação sonora por embarcações e alterações comportamentais em mamíferos marinhos acenderam o alerta para a necessidade de compreender a dinâmica dessas interações no ecossistema costeiro.
Estratégias para cada ambiente
Para mapear esses hábitos, a equipe científica instalou gravadores autônomos no fundo do mar e em cabos de ancoragem entre fevereiro e outubro de 2024, analisando cerca de 300 horas de gravações em dois parques aquícolas e um FAD. Os resultados demonstraram que a presença do golfinho foi constante em todos os pontos, porém mais frequente no FAD, onde esteve presente em 59% dos registros, contra 41% e 34% nos tanques-rede. No ambiente de piscicultura de Munxar, a atividade concentrou-se nas primeiras horas da manhã, com 80% das detecções contendo emissões acústicas típicas de captura de presas, como estalidos curtos e trens de cliques de taxa variável.
Coordenação versus oportunidade
A análise dos sinais sonoros revelou diferenças marcantes no comportamento social. Nas fazendas marinhas, a baixa ocorrência de assobios indica uma alimentação oportunística e individualizada, aproveitando a elevada abundância local de peixes atraídos pela ração. Por outro lado, nas proximidades do FAD, os assobios representaram 52% dos sons registrados, enquanto os sinais diretos de investida contra presas foram predominantemente noturnos (16% dos registros). Essa dinâmica sugere que a caça ao redor dos FADs exige maior coordenação do grupo para capturar cardumes juvenis que utilizam a estrutura flutuante como defesa.
Gestão e conservação marinha
Os achados reforçam que tanto as gaiolas aquícolas quanto os FADs funcionam como pontos de atração trófica, mas causam impactos comportamentais distintos sobre a megafauna marinha. De acordo com os cientistas, a incorporação de dados acústicos no planejamento espacial possibilita dimensionar áreas de concessão para a aquicultura e a pesca sem comprometer a conservação dos cetáceos, estabelecendo medidas mitigatórias como a eliminação de cabos soltos e o manejo eficiente de resíduos.
