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Salmão ganha 91% de área adequada em tanques de navios de aquicultura

A expansão da aquicultura para o ambiente offshore com navios de cultivo enfrenta um desafio físico invisível a olho nu: a dinâmica do fluxo de água dentro dos tanques industriais. Pesquisadores chineses do Fishery Machinery and Instrument Research Institute e da Shanghai Jiao Tong University demonstraram que modelos reduzidos de laboratório subestimam drasticamente as condições reais de cultivo do salmão-do-atlântico (Salmo salar). Ao simular tanques em escala real a bordo de embarcações, a equipe descobriu que a proporção do volume de água com velocidade adequada para o bem-estar da espécie salta de escassos 15,8% em modelos reduzidos para 91,0% na estrutura definitiva.

A limitação das leis de escala tradicionais

Na engenharia naval e hidráulica, os testes laboratoriais com modelos em escala reduzida utilizam tradicionalmente a lei de similaridade de Froude, que correlaciona as forças inerciais e gravitacionais do ambiente aquático. Contudo, no ambiente fechado dos tanques de cultivo, onde jatos nos cantos do tanque e um dreno central geram um forte vórtice, os efeitos viscosos associados ao número de Reynolds desempenham um papel decisivo. A pesquisa revelou que a intensidade da circulação do vórtice na escala real chega a ser 3,5 vezes maior do que a observada nos modelos de bancada, alterando profundamente o comportamento do fluxo.

Velocidade e autolimpeza favorecem o cultivo

Utilizando simulações numéricas avançadas de turbulência, os cientistas mapearam a distribuição tridimensional da água e as variações de pressão. Na escala real, a velocidade tangencial do vórtice foi três vezes superior à do modelo reduzido, enquanto o coeficiente de atrito diminuiu significativamente, garantindo menor perda de energia do sistema. Além disso, o gradiente de pressão no centro do tanque tornou-se muito mais acentuado na escala definitiva. Essa força hidráulica intensificada facilita o transporte contínuo de resíduos, como fezes e sobras de ração, diretamente para o dreno de fundo, melhorando a eficiência de autolimpeza.

Implicações diretas para a aquicultura offshore

Para o salmão-do-atlântico (Salmo salar), que necessita de correntes entre 0,3 m/s e 1,3 m/s para exercitar a musculatura e evitar comportamentos agressivos, os resultados alteram as premissas de projeto. O trabalho conclui que criar instalações baseando-se apenas em modelos físicos de laboratório leva a uma subestimativa severa das zonas adequadas para os peixes. Ao incorporar os efeitos do número de Reynolds no dimensionamento dos tanques, engenheiros e produtores podem projetar sistemas de bombeamento mais econômicos, seguros e plenamente ajustados às exigências biológicas da produção industrial.

Fonte: Scale effects on flow characteristics and hydrodynamic suitability for fish in aquaculture tanks

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