Estratégia de imunização em duas etapas
Pesquisadores da IPB University e da Escola Politécnica de Pesca e Marinha de Bone, na Indonésia, avaliaram como a variação no intervalo de tempo entre o estímulo imunitário e a vacinação oral altera a eficácia defensiva em juvenis de Litopenaeus vannamei. Os animais receberam ração suplementada com Imuno-FS Plus, um adjuvante natural à base de caule de bananeira (Musa spp.), por sete dias para pré-ativar as defesas inatas. Em seguida, os cientistas testaram intervalos de zero, dois, quatro e seis dias antes de administrar uma vacina oral formulada com Vibrio parahaemolyticus inativado por formalina durante quatro dias consecutivos.
Intervalo de quatro dias atinge o auge defensivo
Os resultados demonstraram que o intervalo de quatro dias entre o adjuvante e a vacina gerou a resposta imune mais robusta e consistente. Os camarões desse grupo apresentaram aumentos significativos na contagem total de hemócitos, atividade de fenoloxidase, explosão respiratória e capacidade fagocítica. No nível molecular, o protocolo induziu a superexpressão de genes imunológicos essenciais, incluindo DSCAM, ProPO, LvBigPEN, PE e FREP, mantendo as defesas em estado de prontidão antes e após o desafio bacteriano.
Redução da carga bacteriana e recuperação tecidual
Após a infecção experimental com a cepa patogênica, os lotes submetidos aos intervalos de quatro e seis dias alcançaram taxas de sobrevivência estatisticamente comparáveis às do controle não infectado, atingindo uma sobrevivência relativa de até 72,9%. A contagem de Vibrio parahaemolyticus no hepatopâncreas desses animais caiu progressivamente até se tornar indetectável no sétimo dia pós-desafio. A análise histopatológica confirmou que o intervalo de quatro dias preveniu o descamamento epitelial massivo característico da AHPND aguda, substituindo-o por focos isolados de melanização e atrofia que sinalizam uma resposta tecidual contida.
Aplicação prática no manejo sanitário
O estudo comprovou que a administração simultânea de adjuvante e vacina não oferece proteção superior ao controle não vacinado, evidenciando que a separação temporal é o fator determinante do sucesso imunológico. Para o setor aquícola, a sincronização do manejo vacinal representa uma ferramenta viável e sustentável para fortalecer a resistência nativa do camarão-branco-do-pacífico e mitigar perdas econômicas causadas pela AHPND.
